Era uma vez um internauta brasileiro feliz e satisfeito.
O motivo de tanta satisfação?
Ele tinha um Gmail.
Diariamente, o sofisticado serviço de e-mail do todo-poderoso Google capturava e armazenava em uma pasta específica os spams mais manjados e escrotos da internet. Dos famigerados “enlarge your penis” até os orientais incompreensíveis, passando pelos que ofereciam descontos fantasmas na compra de medicamentos como o viagra.
Ele era feliz. Não tinha motivos para se preocupar com a chegada de e-mails indesejados, exceto por uma ou outra mensagem inútil que raramente caía na Caixa de entrada. Nada que um clique em “Denunciar spam” não resolvesse.
De uns tempos pra cá, esse alegre internauta perdeu um pouco do seu entusiasmo. Abrir o seu Gmail turbinado com aquele tema escolhido a dedo se tornou uma tarefa adiável sempre que possível.
Ele andava pelos cantos das redes sociais, esbravejando sua insatisfação com o serviço que não se mostrava mais tão eficiente na captura de spam. Se antes as mensagens indesejadas eram em inglês, chinês, aramaico, latim e catalão, o problema agora era a enxurrada de inutilidades escritas em bom (tá, nem tão bom assim, vai) português que só aumentava, dia após dia.
Questionando-se sobre o porque de ter se tornado alvo constante de tais porcarias, um dia ele recebeu a explicação… em sua Caixa de entrada:

Fazer spam virou inclusão comercial.
Classificados:
clone
aulas
pence
travas
mobylette
388